
Naquela manhã de setembro de 1989, a rodoviária ainda cheirava a café recém-passado e diesel. Entre passageiros apressados, um homem desceu do ônibus carregando apenas um colchonete, uma mochila surrada e uma convicção difícil de explicar. Chamava-se Cláudio Galleti.
Quem o visse naquele instante jamais imaginaria que, décadas depois, conheceria a cidade como poucos. Não pelas ruas apenas, mas pelas histórias escondidas em cada esquina, nos corredores do poder, nas arquibancadas dos estádios, nas redações de jornal e nas vozes que, muitas vezes, quase ninguém escutava. Mas toda história começa muito antes da chegada.
Antes de Maringá havia Olímpia-SP, uma cidade cercada por laranjais, onde o menino descobriu que o mundo podia caber dentro de um rádio. Enquanto muitos ouviam música e notícias, ele prestava atenção ao que acontecia do outro lado do microfone.
Primeiro, veio o trabalho como operador de som. Depois, a coragem de falar. A voz ganhou espaço, tornou-se apresentador, repórter esportivo e, sem perceber, aquele jovem já havia encontrado seu destino: contar histórias.
Em 1986, decidiu estudar jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Não queria apenas narrar os fatos, queria compreendê-los.
Três anos depois, desembarcava em Maringá para trabalhar na antiga TV Tibagi (afiliada ao SBT). Não conhecia quase ninguém, mas tinha a força do trabalho.
Naquela época, a Câmara Municipal ocupava outro endereço, mais modesto, mas igualmente carregado de debates. Ali, Cláudio descobriu que a democracia raramente faz barulho bonito. Ela range, discute, diverge, tropeça e recomeça.
Passou a observar vereadores, prefeitos, lideranças e cidadãos comuns. Aprendeu que uma sessão, aparentemente, tranquila poderia mudar o rumo de uma cidade inteira.
Vieram os anos da assessoria de imprensa. Defendeu causas, apresentou dados, negociou ideias. Uma das maiores batalhas foi convencer diferentes setores de que a abertura do comércio aos domingos poderia beneficiar toda a cidade. Não bastava ter razão, era preciso construir pontes entre pessoas que pensavam diferente.
Foi ali que entendeu que política não se faz apenas com discursos. Faz-se com escuta.
Os anos seguiram. Vieram mudanças de governos, novas legislaturas, a ampliação do número de cadeiras na Câmara, mudança de sede para o Legislativo, crises, projetos inovadores e velhos conflitos. Cláudio registrou tudo. Às vezes com entusiasmo e, outras vezes, com decepção porque aprendeu que nenhuma instituição é perfeita. Assim também descobriu que nenhuma democracia sobrevive sem pessoas dispostas a acompanhá-la.
Enquanto a cidade crescia dos duzentos para quase quinhentos mil habitantes, Galleti via surgir novos bairros, edifícios mais altos e avenidas tomadas pelas sombras das árvores que continuavam desenhando o céu de Maringá.
Ele sabia que a beleza não estava apenas nas árvores, mas nas pessoas que insistiam em cuidar delas.
Quando assumiu a editoria-chefe do site Maringá Post, percebeu que sua missão já não era apenas escrever notícias. Era ajudar outras pessoas a enxergarem aquilo que, muitas vezes, passava despercebido.
Aprendeu também que o maior desafio do vereador não é fiscalizar o poder. Sua principal tarefa, hoje, é despertar o interesse de quem deixou de acreditar na política.
Plenários vazios, pessoas que sequer lembram o candidato que votaram e os jovens que conhecem melhor as redes sociais do que conheciam seus próprios representantes o deixavam inquieto.
Para Galleti, a cidadania começa muito antes das urnas. Ela é vista quando alguém recolhe um papel do chão, respeitando o espaço coletivo; quando a pessoa entende que política não é apenas disputa e sim, a convivência. Nessa linha de raciocínio, ser vereador é uma tarefa que exige preparo, responsabilidade e humildade para representar e conduzir o futuro de uma cidade inteira.
Fonte: Assessoria de Imprensa/CMM
Foto: Marquinhos Oliveira.
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