Indústria paranaense registra crescimento de 18% no primeiro semestre

Puxada principalmente pelo bom desempenho do setor de máquinas e equipamentos, madeira e automotivo, a indústria do Paraná fechou o primeiro semestre deste ano com crescimento de 18%. No comparativo mensal com junho do ano passado, a alta passa de 8%. O resultado acompanha uma tendência nacional, que foi de 12,9% no acumulado dos primeiros seis meses do ano. A indústria brasileira também cresceu 12% em junho, quando avaliado o resultado do mesmo mês do ano passado. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora bem positivos, os números sugerem que o ritmo de crescimento do setor este ano vem desacelerando. A alta acumulada até maio era de 20%. Este mês, caiu para 18%. Na avaliação mensal, o resultado de junho ficou 5,7% abaixo do medido no mês anterior. “É a mesma tendência de comportamento da indústria nacional e a verificada nos estados vizinhos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O que sugere um comportamento de acomodação depois do forte crescimento que a indústria vinha registrando a partir do segundo semestre do ano passado”, avalia o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe.

“Não é uma piora de desempenho porque os resultados no ano são positivos”, analisa o economista. Para ele, setores que tiveram perdas expressivas no ano passado por conta da pandemia, como automotivo e máquinas e equipamentos, por exemplo, vêm numa curva de retomada e isso impactou o resultado geral da indústria. “Já outros, que se recuperaram mais rapidamente do impacto da crise, atingiram um patamar de maior estabilidade agora”, reforça.

Mesmo diante de bons resultados, Felippe alerta que não é possível garantir que a indústria deve manter o desempenho em alta no próximo semestre. Três fatores podem influenciar esse comportamento. Um deles, explica, é a crise hídrica que atinge o Paraná e impacta nos gastos com energia elétrica, elevando os custos de produção nas fábricas. “Alguns setores necessitam de mais energia para produção e as empresas terão de se adaptar a este momento de escassez de água. Seja buscando outras formas de geração de energia ou reduzindo a demanda”, sugere.

Outra ponderação do economista refere-se às incertezas em relação à aprovação das reformas estruturais importantes para fomentar a atividade econômica e melhorar o ambiente de negócios. “Elas estão paradas no Congresso sem previsão de debate. Essa morosidade pode afetar a confiança dos empresários de uma melhor condição econômica e reduzir, por exemplo, o otimismo e a disposição para fazer novos investimentos e gerar empregos”, esclarece.

Já a favor, a aceleração da campanha de vacinação contra a Covid-19 no país pode trazer um novo ânimo ao mercado. Com mais pessoas imunizadas e a retomada das atividades de comércio e serviços, a tendência é de aumento na produção das indústrias. “O segundo semestre costuma ser um período de maior ritmo na atividade econômica em geral para atender à demanda de consumo de fim de ano e isso impacta numa maior empregabilidade nas fábricas e também em geração de renda”, completa.

Setores

No primeiro semestre, das 13 atividades industriais avaliadas pelo IBGE, somente alimentos e celulose e papel registram queda, de 5,8% e 4,6%, respectivamente. As demais cresceram no período, com destaque para máquinas e equipamentos (+83,5%), madeira (53,3%), automotivo (53,1%) e produtos de metal (38,5%). “Chama a atenção o resultado do setor alimentício, que representa 33% do PIB industrial do estado, com redução. O que pode explicar esse desempenho ruim são os valores mais baixos dos programas de auxílio do Governo Federal este ano, que também beneficiaram um número bem menor de pessoas na comparação com o que foi realizado no ano passado”, pontua Thiago Quadros, também economista da Fiep.

A inflação em alta este ano no Brasil gerou uma redução ou readequação no consumo das famílias o que pode explicar em parte o desempenho do setor de alimentos no Paraná. No ano, o Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) medido na região metropolitana de Curitiba, que serve de referência no estado, acumula alta de 6,44%, a maior entre todas as avaliadas no país. Só em julho, ficou 1,6% maior do que a medida no mês anterior, a mais alta do Brasil.

Na comparação de junho passado com o mesmo mês de 2020, os setores que mais se destacam são máquinas e equipamentos (+87%), automotivo (50%), madeira (31%), produtos de metal (25%), e minerais não-metálicos (19%). Já petróleo (-24%), produtos químicos (-9,6%), alimentos (-3,8) e móveis (-1%), registraram queda. Chama a atenção o resultado do setor de petróleo, que está entre os três principais do estado, e que vem tendo reduções consecutivas nos últimos meses. “Como este setor não atua com grandes volumes de estoque, sugere uma tendência de acomodação influenciada pela redução na demanda gerada pelas sucessivas altas este ano e isso impactou o resultado geral da produção industrial no estado”, conclui Quadros.

Fonte: Patrícia Gomes/AgênciaFiep – Foto: Gelson Bampi.

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