Literatura de cordel é destaque na Tribuna da Câmara de Maringá

Vereadores recepcionaram a pesquisadora Maria Vergínia Gonçalves

A pesquisadora Maria Vergínia Gonçalves utilizou a Tribuna da Câmara Municipal de Maringá, durante a sessão ordinária da quinta-feira (2/7), para falar sobre a exposição de literatura de cordel, instalada no hall da sede do Poder Legislativo. A mostra permaneceu aberta à visitação pública até sexta-feira (3).

A exposição “Nordeste… Sim Senhor” reúniu folhetos de cordel e homenageia importantes nomes da literatura popular nordestina, proporcionando aos visitantes contato com uma das mais tradicionais manifestações culturais brasileiras.

Vereador Flávio Mantovani, autor do convite

O convite para a participação da pesquisadora na sessão ordinária foi feito pelo vereador Flávio Mantovani, que destacou que a exposição presta homenagem à cultura nordestina.

Durante seu pronunciamento, Maria Vergínia explicou que neste ano realizou uma pesquisa de campo sobre a literatura de cordel na Paraíba e, em parceria com a Academia de Cordel da Paraíba, reuniu obras e materiais para fortalecer a exposição.

Pesquisadora Maria Vergínia Gonçalves usou da Tribuna da Câmara na sessão ordinária da quinta-feira (2/7)

“É uma pena que a sociedade brasileira ainda não valorize suficientemente o patrimônio histórico e cultural. O cordel é uma expressão da cultura popular, assim como o forró e o xote”, afirmou. Segundo ela, “a Paraíba atravessou terras, matas, rios, lagos e mares para chegar até aqui”.

Em vídeo exibido durante a sessão, o presidente da Academia de Cordel da Paraíba, Merlanio Maia, agradeceu o trabalho desenvolvido pela pesquisadora na divulgação da literatura de cordel.

“Maria Vergínia tem divulgado a nossa literatura de cordel, que é a literatura do povo. Pesquisas demonstram que essa poesia popular brasileira, dos cantadores e violeiros, que transborda para o cordel, nasceu na Serra do Teixeira, na Paraíba. Nós, herdeiros desses grandes poetas, ficamos extremamente agradecidos à Câmara de Maringá por abrir esse espaço para a cultura nordestina”, declarou.

Exposição

A exposição “Nordeste… Sim Senhor” foi organizada pelo projeto Abrindo Gavetas, coordenado pela pesquisadora Maria Vergínia Gonçalves, com apoio da Academia de Cordel da Paraíba, sediada em João Pessoa.

Entre os cordelistas homenageados na exposição estão Leandro Gomes de Barros, Merlânio Maia, Severino Dias Oliveira, Juliana Soares, Francisco Assis Freitas, Orlando Otávio, Agenor Otávio, Aurino Monteiro de Carvalho, Lito Melo, Chico Mulungu, Robson Jampa, Bento Júnior e Arnaldo Mendes Leite, além de outros importantes representantes da cultura popular nordestina.

A iniciativa integra as ações da Escola do Legislativo, coordenada por Joaquim dos Santos, que tem como objetivo abrir espaço para que entidades, artistas e produtores culturais apresentem seus trabalhos à comunidade.

Literatura de cordel

A literatura de cordel é um gênero literário popular brasileiro de tradição oral, composto por poemas em versos rimados e publicados em pequenos folhetos. Seu nome deriva da tradição portuguesa de expor essas publicações penduradas em cordões, conhecidos como cordéis.

Os folhetos costumam ter capas ilustradas com xilogravuras, técnica de gravura em madeira, e são escritos seguindo métricas e rimas que conferem musicalidade aos textos e facilitam sua memorização. A linguagem é predominantemente coloquial, marcada por regionalismos, humor e ironia, características que tornam o cordel uma das mais ricas expressões da cultura popular brasileira.

Fonte: Assessoria de Imprensa/CMM.
Fotos: Marquinhos Oliveira.