O desenvolvimento que vem com planejamento

 

(*) por Michel Felippe Soares

Detentores da sétima maior reserva de petróleo do mundo, os Emirados Árabes são um exemplo de como um país pode se desenvolver para além da produção da maior fonte de energia do planeta. Abu Dhabi e Dubai, dois dos sete emirados, são hoje importantes destinos turísticos e lugares prósperos.

É em Dubai, por exemplo, que fica o maior shopping do mundo, com 1,3 mil lojas, e uma das maiores torres edificadas, a Burj Khalifa. Lá, o petróleo e o gás correspondem a apenas 7% da economia. Os dois emirados mostram que é possível gerar desenvolvimento com planejamento de longo prazo e investimento em infraestrutura, afinal, eram grandes áreas desérticas.

Se dependessem apenas das reservas de petróleo, os Emirados teriam selado um futuro muito diferente. Que o diga a Venezuela: mesmo tendo a maior reserva do mundo, o país enfrenta grave crise econômica e política.

E o que dizer de Israel, um país com grandes áreas desérticas, que se transformou em um dos maiores polos de inovação mundial? Lá 4,4% do PIB é investido em tecnologia, laboratórios, universidades e capacitação. O próprio governo investe em startups e criou um ambiente que incentiva a inovação e a disrupção. Gigantes da tecnologia, como Google, Facebook e Amazon, têm escritórios ou centros de pesquisa em Israel.

Esses exemplos provam como o planejamento – ou a falta dele, no caso da Venezuela – é importante para mudar o destino de um país. O Brasil, que é um vetor importante da economia mundial, reúne condições para se tornar uma potência. Mas aqui ainda há fatores limitantes, como o investimento aquém do necessário em infraestrutura, o investimento deficitário em educação e a política de partido em detrimento de uma política de estado.

Segundo o BNDES, a economia do país precisaria crescer 3,2% ao ano até 2035 para potencializar o desenvolvimento. Um crescimento de 3,9% ao ano seria suficiente para “transformar a realidade econômica”, com mudanças profundas no bem-estar da população. O estudo chama ‘Visão 2035: Brasil, país desenvolvido’.

Considerando a estimativa do PIB deste ano, a realidade está bem distante. O Banco Central projeta crescimento da economia de 0,9% e 1,8% em 2020. Somando o 1,1% de 2018, totalizariam 3,8%, ou seja, nem somando três anos chegamos aos 3,9% necessários, por ano, para tornar o Brasil desenvolvido. Ainda temos muito a aprender com os países que estão transformando suas realidades com planejamento.

(*) Michel Felippe Soares é presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá – Acim

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